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Phelipe Vieira
Phelipe Vieira
Publicada em 10 de agosto de 2026

Memórias Póstumas, avaliado por Phelipe Vieira

Memórias Póstumas
Memórias Póstumas
Jão · 2026
55
DE 100

Sempre achei que o Jão seria um ótimo cantor-compositor se desse um tempo para maturar as letras, composições, melodias, e assim conseguisse escrever, repensar, escrever de novo, produzir, gravar... Porque é nítido que ele gosta do fazer artístico, e, acima de tudo, busca se vender enquanto artista. Mas no cenário fonográfico brasileiro em que ficar sem lançar música é, aparentemente, perder dinheiro, isso se torna quase impossível pra ele. E olha que ele tem demanda, poderia exigir coisas da gravadora que muitos outros artistas não poderiam como: tempo. Ou até criar o próprio selo, quem sabe? Infelizmente ele não está interessado em correr esses riscos.

Diante disso, ele desenvolveu uma carreira que é mediocre em tudo, todos os álbuns dele têm 3 ou 4 músicas que se destacam e poderiam servir como pontos de partida para discos melhores - aqui, elas são "Coincidências", "Por Você" e "Memórias Póstumas" -, mas estão sempre envoltas num mar imenso de podridão, melodias mid, letras que ultrapassam o limite da vergonha alheia, e conceitos que são pouco desafiadores. Isso se repete nesse "Memórias Póstumas", que surge, curiosamente, após ele prometer que ia entrar um hiato mais longo (o que me deu esperanças de que a escrita dele iria melhorar). O "hiato", no final, não durou sequer dois anos.

E veio, nessa rapidez, sob o pretexto dele precisar falar sobre certas coisas, como um chamado à música, algo bem legítimo se tratando de um artista, sobretudo pela perda do próprio pai nos últimos anos. Mentira. Três (ou quatro) músicas do álbum falam, de fato, sobre a perda de um pai de um ponto de vista recente, enquanto a maioria, a imensa maioria, é a mesma repetição da mesma história de relacionamento entre ele e Pedro Tófani, que, por sinal, é esquisitissimo, e claramente problemático em diversos sentidos. A ver em letras como "João" (composta por Pedro), "O Arquiteto", "Curioso", "Aurora".

É a incessante repetição da mesma fórmula, que o público dele já espera para devorar porque é exatamente disso que eles esperam: um artista que continua sempre fazendo mais do mesmo, se recusando a evoluir, acrescentar novos temas, adquirir novas cores, observar a vida de um ponto de vista um pouco diferente que seja, fazendo sempre o mesmo álbum. Que dessa vez, e aqui é uma questão de gosto pessoal, nem busca trazer melodias diferentes entre si como o Super fazia com "São Paulo, 2015", "Escorpião", "Locadora". Pelo contrário, parece orgulhoso de estar na zona de conforto que o fez garantir que sua fã-base se mantenha imutável. Por essa e outras coisinhas, é o pior álbum do Jão, pra mim.

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