THE TORTURED POETS DEPARTMENT, avaliado por Lui
The Tortured Poets Department é um álbum coeso e melancólico, mas que mantém Taylor Swift em uma zona de conforto criativa. As letras continuam sendo o grande trunfo da artista, acompanhadas por uma produção refinada, mas falta ao disco a ousadia e a diversidade sonora que marcaram alguns dos momentos mais interessantes de sua carreira.
O grande destaque é I Can Do It with a Broken Heart, que contrapõe uma sonoridade dançante a uma letra carregada de exaustão emocional. A escolha funciona muito bem e mostra o talento de Jack Antonoff na construção desse contraste. Outras faixas, como Fortnight, But Daddy I Love Him e Guilty as Sin?, representam bem a atmosfera do álbum, embora a participação de Post Malone em "Fortnight" acabe sendo mais discreta do que poderia.
O principal problema está na pouca variação entre as músicas. Apesar de manter um bom nível de qualidade, muitas faixas seguem caminhos muito parecidos, fazendo com que a audição pareça mais longa do que o necessário. Em vez de uma sequência de momentos marcantes, o álbum transmite a sensação de uma longa coleção de reflexões com poucas mudanças de ritmo ou intensidade.
O encerramento com Clara Bow também não ajuda. A música é uma das menos inspiradas do repertório e termina o disco de forma pouco memorável.
No fim das contas, The Tortured Poets Department é um trabalho consistente e certamente agradará aos fãs mais dedicados de Taylor Swift. Ainda assim, é um álbum que prefere a segurança à experimentação e, justamente por isso, acaba deixando uma impressão menos duradoura do que outros capítulos de sua discografia.