PETAL: O álbum mais delicado de Ariana Grande também é um dos menos ousados
Depois de anos dominando o pop com refrões gigantescos e performances vocais impressionantes, Ariana Grande decide desacelerar. Petal é um álbum que rejeita a urgência dos hits e abraça uma atmosfera delicada, quase sonhadora. A mudança de direção não é um problema.
O problema é que, em diversos momentos, o disco parece confundir discrição com falta de ambição. Ariana continua sendo uma das melhores vocalistas de sua geração. Sua interpretação é elegante, a produção é impecável e tudo soa bonito aos ouvidos. Mas beleza, sozinha, não sustenta um álbum inteiro. Quando quase todas as músicas seguem o mesmo clima, a experiência perde força e a sensação é de que Petal entrega menos do que promete.
Isso não significa que o disco seja ruim. Pelo contrário: há momentos em que Ariana transforma sua vulnerabilidade em algo genuinamente emocionante. Só que esses momentos são menos frequentes do que deveriam. Em vez de explorar novas possibilidades ou surpreender o público, ela prefere permanecer em um território confortável, repetindo fórmulas que já funcionaram em trabalhos anteriores.
Talvez esse seja o maior paradoxo de Petal. É um álbum bonito, bem produzido mas ainda assim, falta aquela música que muda a temperatura do disco, aquele verso que permanece na cabeça ou aquela decisão artística que faça o ouvinte pensar: "Ariana realmente foi além desta vez."
No fim, Petal é o retrato de uma artista que não precisa provar mais nada, mas que também parece não sentir necessidade de se desafiar. É um disco agradável, consistente e sofisticado, mas discreto demais para entrar na conversa dos melhores trabalhos de sua carreira. E, para alguém do tamanho de Ariana Grande, apenas entregar um bom álbum talvez seja a crítica mais dura que se pode fazer.
O disco já está disponível para avaliação aqui no site, na aba "CriticsFM".
